sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Minha Geração. Tudo era muito diferente!...


Enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e, fazer tudo igual, eu do meu lado, aprendendo a ser louco, um maluco total....na loucura real.
Controlando a minha maluquez, misturada com a minha lucidez...Eu vou ficar...
Ficar com certeza, maluco beleza!...
E, esse caminho que eu mesmo escolhi, é tão fácil seguir...Por não ter aonde ir...
Controlando a minha maluquez, misturada com a minha lucidez”... ( Raul Seixas)

Os tempos eram outros...
A musica era outra!...
Eram melodiosas e faziam sentido também, sem muitos gritos ou barulhos...

Acostumávamos à isso, que naquela época chamávamos de bom gosto. Era bastante diferente!...

Vi nascer Caetano, Gilberto Gil, Elis, Chico Buarque, João Gilberto e Paulinho da Viola. Sonhei nos joelhos da Nara leão e na voz eterna da Maria Bethânia...
Voei com o “poetinha” Vinicius, naveguei nas águas do Jobim e me embalei, no embalo do Simonal...

Era uma época de descobertas e de contradições... Do embate e das boas provocações... Quando quebrar regras da hipocrisia era um dom.

Leila Diniz barbarizava e escandalizava num bom sentido, enquanto o Pasquim, tirava o “sarro” com seu jeito moleque... Ria do Ibrahim Sued, o maior colunista social do Brasil, na sua gagueira e fala errada. Era o “cavalo descendo escada!”...

O nosso Jornal Nacional chamava-se “Repórter Esso” e já tinha seu jingle também, reconhecido nacionalmente... Sua musiquinha de introdução parava o país!

Mas, antes disso, vi a Televisão nascer..., Inclusive a TV Itacolomy, aqui de Belo Horizonte...
Minha casa tinha o primeiro controle remoto do Brasil. Um negócio estranho e que movia um motorzinho, que virava os canais, com um estrondo enorme..Rs
Mas, era “chique!”...rs

Aliás, era muito chique ter um radinho à pilhas. Tinha modelo de todo jeito e cor, que iam ficando cada vez menores... Era muito legal ter um desses... Ficava escutando “disparada”, “Carcará”, “A banda” e outras nacionais, que se intercalavam com as musicas estrangeiras...Americanas, italianas e francesas, sobremodo.

A nossa “balada” era a “hora dançante”. Funcionava, mais ou menos assim: Juntava-se um monte de amigos (turma) na casa de um deles, trazia-se um monte de salgadinhos, coca cola e, (quando um pouquinho maiores), um rum Bacardi ou vodca Smirnoff, para os tradicionais “cuba libre” ou “Hi-Fi” (raifai...rs...muito chique!).
Colocava-se musicas, numa radiola (isso mesmo! Ra-di-o-la!...) e todo mundo, dançava entre si.

Muitas dessas horas dançantes, muito vigiadas pelos pais, acabaram traduzindo em namoros e até casamentos...

Qualquer hora dançante, que se prezasse, precisava tocar Simon e Garfunkel, Rolling Stones, Ray Charles, Trini Lopes, Elvis, Petula Clark e Ray Conniff...Não necessariamente nessa ordem!...

Era época de mudanças!...

A tecnologia começava a tomar seu lugar no mundo. Foi a época em saíamos de uma vida letárgica, para as transformações em todas as áreas. O Vietnam era o campo de provas das armas produzidas pela democracia e pelo comunismo. Arrasavam vidas e davam a primeira visão de uma guerra, com cobertura diária pelas televisões.

Pelo mundo todo a rebeldia protestou, contra os tratamentos desumanos, pelos “humanos” dirigentes...
“Classes desfavorecidas e/ou pressionadas, uni-vos!”...

John Lennon e Yoko, faziam protesto na cama (viu a diferença?!...rs), pedindo amor e paz, que nunca viu, até sua morte.
Antes disso, o Festival de woodstock, fazia seu protesto também, reunindo milhares de pessoas que, peladões e bêbados, ouviam os protestos das musicas de Bob Dylan, Hendrix, Janis Joplin, John Denver e outros...

Do outro lado do mundo, mais levemente, a Rita Pavone batia seu martelo ou, faziam-nos sonhar com Sergio Endrigo, Domenico Mondugno ou com a Gigliola Cinquetti.

No fim, tudo se traduzia em musica, a arma mais transformadora da época!...

Enquanto isso, a nacionalidade foi balançada com a turma do Roberto – A jovem guarda!... Rita Lee, era novinha e já simpática, cantava com “os Mutantes” e o João Gilberto, sempre antipático, já dava seus “chiliques “ em publico.

Vi os primeiros grandes heróis nacionais, lançarem a bola do reconhecimento de nossa pátria no estrangeiro, com um show de futebol na Suécia...
“A copa do Mundo é nossa! Com brasileiro, não há quem possa. Êta! Esquadrão de ouro: É bom no samba, é bom no couro!”.. Embalava a grande e primeira manifestação expontanea, patriótica e popular....e, reafirmaram tudo em 62!...
Vi Brasília nascer.... estive lá em 64, naquela gigante, traçada no cerrado, com seus asfaltos e construções solitárias.
Cantávamos o “peixe-vivo” à simples lembrança do nosso presidente JK...

Colecionei vassourinhas douradas, da propaganda do Jânio Quadros, que joguei no lixo depois...Vi o Jango subir e descer a rampa, tão rápido que nem deu gosto....
Vi e vivi os anos de ferro e cacetadas (levei só uma!...) dos nossos irresponsáveis militares da época.

Na época, me senti vingado, quando assisti cavalos e cavaleiros, em plena Av Afonso Pena, se esparramarem ao chão, com as bolinhas “de gude”,jogadas pelos estudantes... Hoje, sinto pena dos cavalos...

Só se falava nos deportados, nos campos de triagem...
Nosso humor piorou com a seleção sofrendo um vexame na Inglaterra, em 66.
Só em 70, tudo ficou mais alegre, com a seleção canarinho.
Se na política e nas finanças estávamos mal, o futebol alegrava-nos!...

Ainda cantava o “Prá frente Brasil” e um fuzil de um “guardinha” se interpôs entre meus olhos, frente do Colégio Estadual (meu colégio!), só porque não podia pisar no passeio...

Nossa compensação era assistir aos americanos apanhando feio no Vietnam...
Uma delicia ver aqueles caras saírem correndo, com as calças nas mãos.
Os mesmos que vieram aqui, “dar uma forcinha” aos militares, para judiar dos patrícios meus...

Enquanto isso, Marylin Monroe deixava as pernas de fora, para todo mundo babar...O Homem chega na lua com a TV (imagine!...), Martin Luther King sonhava seu sonho eterno, assim com o Kennedy e seu irmão Bob...

Muita confusão!...Uma verdadeira convulsão nos noticiários, agora com cobertura global instantânea!

Líamos o Pif-Paf, O amigo da Onça, Stanislaw Ponte Preta com suas “certinhas” e as irreverências cabíveis.

Glauber Rocha e seus filmes iam ao “Dops” toda hora, que já nem chamava mais a atenção.
Os filmes brasileiros envolviam toda criatividade possível, para mostrar as confusões internas, esboçando obras como “Macunaíma” “Pagador de promessas”, “Terra em transe” e outros...
Mas, estávamos cheios de ver desastres...
Íamos mesmo era assistir a “ Doutor Jivago”, “Butch and Cassidy”, “midnigth Cowboy”, “007” (o legítimo, com Sean Connery), “Easy Rider”, “Dez mandamentos” e o “Rei dos Reis”, e outros mais que eram mais divertidos...

Musicais lindos como “The sound of music”, “Hello Doly”, “Beatlemania” e “My fair lady”, nos faziam acreditar que existia um mundo melhor, cheio de serenidade e paz...

Na TV, assistíamos “Peter gun”, “Bonanza”, “Star Treck”(o inicio de tudo), “Perdidos no espaço”, “Agente da Uncle”, “Columbo”, “Agente 66”, “Noviça voadora”, “National Kid” (primeiro super herói japonês!), “A feiticeira”, “Os Flintstones” e “Jeane é um gênio”.

Acostumei, por muito tempo, ficar conversando embaixo de escadas, para conferir os méritos do lançamento de Mary Quant, a mini-saia, que junto, a rapaziada adorava.

Acompanhei a industria automobilística crescer, em cima dos Fuscas, Opalas, Kombis, Aero Wyllis, Simcas, Gordinis e DKw´s...

O Fusca tomou conta e, estar “por dentro” era ter um fusca incrementado, cheio de “babilaques”... foi o começo da customização moderna...
É!... foi no meu tempo que isso começou!...

Voava-se pelas asas da Panair (“Asas do Brasil!”)... Ou, viajava-se pela Cometa, com ar condicionado (que luxo!)...

Nas praias, a mulherada vestia maiôs de Helanca da “Catalina”... Dormíamos nos lençóis de linho branquinhos da “Santista”, lavados com o inovador sabão em pó “Omo”...
A “Walita” e a “General Eletric” mandavam nos eletrodomésticos de casa.
Nessa época, eu vi o Jô Soares magrinho.. (acreditem!...)

A rapaziada nova andava de “Lambreta” e fumava “Luiz XV”, “Minister”, “Hollywwod” ou Continental...
Íamos às aulas, calçados de “Conga” (que dava um chulé, incomparável!) e os nossos refrigerantes depois da Coca, eram Crush e Grapette.

As moças cheiravam a “Max Factor” e “Avon”...
E, como o mundo, apesar de tudo, tinha um cheiro diferente!...

Os tempos eram outros!... Tudo era muito diferente!...

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